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Ducati Multistrada 950 S - Teste



Fotos Idário Café

Indiscutivelmente as motocicletas contemporâneas estão mais modernas e recebem muita tecnologia, grande parte inspirada nos modelos superesportivos, que recebem quase tudo que encontramos nas motocicletas de competição. Cada vez mais os novos modelos apresentam recursos que até então eram exclusivos dos modelos racing. Mesmo os modelos big trail passaram a receber recursos tecnológicos de ponta, e um dos que receberam recentemente atualizações, justamente oferecendo mais tecnologia, foi a Ducati Multistrada 950 S. Equipada com as mais inovadoras soluções que envolvem segurança, ela foi lançada no mercado nacional no final do ano passado.

O visual é elegante, robusto e muito esportivo, mantendo o design característico da Mutistrada 1260 e 1260 Enduro, com a frente mais limpa e ergonomia pensada em maior controle e conforto, do piloto e passageiro. O para-brisa apresenta ajuste manual na vertical, com 60 mm de amplitude, mas a Ducati oferece um modelo mais baixo. O assento está a 840 mm do solo, e também há opções para 820 mm ou 860 mm de altura.


No quesito conforto, os pedais são revestidos com peças de borracha para minimizar a vibração; tomadas de 12 V; painel de instrumentos com tela TFT de 5 polegadas, colorida e de alta resolução, facilitando a leitura; sistema Hands Free, que aciona a ignição num raio de até 2 metros; e Cruise Control. Moderno é a compatibilidade com o Ducati Link App, que permite ativar o “journey mode” (combinação de "load" e "Riding Mode") e personalizar os parâmetros de cada Riding Mode através do smartphone. O aplicativo também lhe informa os intervalos de manutenção e permite verificar o manual de utilização, localizar uma Ducati Store e gravar as suas performances e viagens, que podem ser compartilhadas com outros ducatistas que utilizam o aplicativo.


Encontramos na motorização um bicilíndrico Testastretta 11º, de 937 cilindradas, com acionamento desmodrômico das quatro válvulas por cilindro e refrigeração líquida, com potência máxima de 113 cavalos a 9 mil rpm e torque de 9,79 kgfm a 7.750 rpm. Complementa uma embreagem hidráulica, câmbio 6 velocidades, sistema Ducati QuickShift (DQS), para cima e para baixo, e escapamento com dois coletores, abafador em aço inoxidável e única ponteira, menor que a versão anterior, visando performance e nível de ruído.


Este modelo apresenta o sistema de segurança da Ducati (Safety Pack), com o Ducati Riding Modes, que apresenta quatro modos – Touring, Esportivo, Urbano e Enduro – e pode ser alterado em movimento. No Touring, a entrega de potência é máxima (113 cv), assim como no Esportivo; já no Urbano e no Enduro a potência é limitada a 75 cv. Os modos atuam na resposta do motor, na intervenção do ABS e no Ducati Traction Control (DTC), que tem 8 níveis.

O chassi é em treliça, construída com tubos de aço. O sistema de suspensão apresenta garfo invertido, com 48 mm de diâmetro e 170 mm de curso, e amortecedor traseiro que trabalha com braço oscilante em alumínio e gera 170 mm de curso na roda. O diferencial é o Ducati Skyhook Suspension Evo (DSS Evo), sistema eletrônico onde a compressão e extensão são continuamente ajustadas de acordo com a abordagem semiativa que assegura o equilíbrio ideal da motocicleta, mantendo a atitude constante, independente da superfície e carga, minimizando as oscilações.

O DSS Evo torna possível a variação de configurações de suspensão de uma forma prática, intuitiva e rápida por meio da nova IHM (Interface Homem Máquina). Basta selecionar o modo de pilotagem e a condição de carga – Somente piloto, Piloto e painéis laterais, Piloto e passageiro, Piloto e passageiro e painéis laterais. Também é possível configurar as suspensões traseiras e dianteiras de forma independente, com ajuste fino.

Para parar, a 950 S apresenta disco duplo semiflutuante de 320 mm de diâmetro com pinças Brembo monobloco de 4 pistões e disco traseiro de 265 mm de diâmetro com pinça Brembo flutuante de 2 pistões. Ambas as extremidades apresentam ABS de curva, da Bosch (veja mais a seguir). As rodas raiadas, de 19 e 17 polegadas, são calçadas com pneus Pirelli Scorpion Trail II. O tanque de combustível tem capacidade para 20 litros, e o peso (seco) anunciado do conjunto é 207 kg.


Destaque também para o ABS de curva da Bosch. Na verdade, o sistema de freio é combinado, aumentando a estabilidade na hora da frenagem, principalmente para melhorar o controle da roda traseira em situações de frenagens emergenciais. São três os níveis de intervenção: o nível 1 desliga o ABS na roda traseira, permitindo melhor performance no uso fora da estrada; o nível 2 traz o balanço entre as rodas, porém permite que a roda traseira saia do chão em frenagens bruscas quando no modo Esportivo, porém com o sistema ativado e calibrado para uma pilotagem agressiva; e o nível 3 permite a otimização do sistema de freio combinado nos modos Touring e Urbano, sem deixar a roda traseira levantar e o sistema calibrado para segurança máxima.

Já o sistema Ducati Cornering Lights (DCL) otimiza a iluminação em curva de acordo com o ângulo de inclinação. Além disso, os indicadores de direção são desligados automaticamente após uma curva (ou distância percorrida), graças também à utilização da nova Unidade de Medida Inercial (IMU), em 6 eixos, da Bosch. No pacote de segurança encontramos também o Vehicle Hold Control (VHC), que mantém a motocicleta parada em aclives, que é ativado quando a motocicleta está parada com o descanso lateral recolhido e o piloto aplicar elevada pressão na manete ou pedal de freio com a marcha engatada.

A Ducati oferece pacotes de acessórios para personalização. No pacote Touring há malas laterais, manoplas aquecidas e cavalete central; no Esportivo encontramos o sistema de escapamento Termignoni, tampa da bomba d'água em alumínio e setas com LED; no Urbano, top case, bolsa de tanque e entrada USB para carregar aparelhos eletrônicos; e no Enduro estão faróis suplementares com LEDs, barras de proteção do motor, protetor do radiador em alumínio, protetor de cárter em alumínio e pedaleiras em aço.

Ela está sendo comercializada com preço público sugerido de 94.990 reais, nas cores Ducati Red, com quadro da mesma cor e aros preto com detalhes em vermelho, e Glossy-Grey, com quadro Ducati Red e aros pretos com detalhes em vermelho.

COMPORTAMENTO - Com o visual tradicional da linha Multistrada, moderno e elegante, e ao mesmo tempo robusto e agressivo, sua aparência vai agradar todos os gostos, tanto aqueles que buscam uma big trail bonita e esportiva, como aqueles que querem mais impacto. Suas linhas são harmoniosas, nada parece estar fora do contexto.


Ao sentar na motocicleta, você percebe o seu conforto e o posicionamento ideal para encarar longas viagens. Pernas e braços sobre um guidão largo e bem posicionado, que facilita o controle, se acomodam confortavelmente. Vários fatores geram uma postura que não cansa em conduções mais estremas e longas. E, ainda, o quickshifter minimiza o uso da alavanca de embreagem.

Pilotos de menor estatura devem ter mais atenção ao estacionar a motocicleta, afinal de contas a altura do assento (para o solo) é 840 mm. Os espelhos retrovisores oferecem boa visibilidade, assim como as informações no painel de instrumentos, que apresenta facilidade no manuseio. Há diversas informações, com configurações praticamente simples. Farol full-LED e o sistema de desligamento automático das setas contribuem para uma pilotagem mais segura. Bem-vindo também é o ajuste do para-brisa, permitindo mais conforto nas estradas, evitando turbulência excessiva no capacete.

A nova Multistrada manteve as mesmas características da versão anterior: muita agilidade, conforto e desempenho. Em contrapartida ao visual robusto, ela se torna mais leve e equilibrada em movimento. Passar nos corredores entre os carros não será uma tarefa difícil, somente nas vias mais estreitas que a atenção deve ser redobrada.

Sua ciclística é incrível, e rapidamente você vai se sentindo à vontade para acelerar. Os movimentos são precisos e rápidos, passando a sensação de muito controle e segurança na pilotagem. Fazer curvas é muito prazeroso. Ágil e estável, passa muita confiança nessas manobras. O sistema de freios é potente, mas não exige muito esforço, passando também muita confiança e segurança nas frenagens.

O conjunto de suspensões é bem equilibrado, e não exigiu muitas alterações no teste. Mas, claro, o ajuste varia de acordo com a sua preferência, da situação de carga e do caminho a ser percorrido. Tanto a dianteira como a traseira apresentaram funcionamento eficiente, evitando sustos mesmo no enfrentamento de buracos inesperados, comuns nas vias de uma metrópole como São Paulo. A sensação foi elevação da confiança no sistema eletrônico.

Nada a reclamar do motor. Devido à entrega de potência suave e progressiva, você pilota com maior tranquilidade. As respostas não chegam sem aviso, mesmo quando você resolve conhecer a sua potencia máxima. Sempre me senti confiante na condução, devido ao seu comportamento. Apesar do motor superar os 110 cavalos de potência, o conjunto comportou-se de maneira bem estável e controlável, e com vibração mínima.

Cada modo de pilotagem apresenta alterações adequadas à necessidade, e é fácil mudar o modo. O funcionamento do Ducati Quick Shift é bom, apenas as reduzidas não tão suaves. Quanto ao calor emanado do motor, algo mais notável nesta estação do ano, ele não é excessivo, mas pode se acentuar ao enfrentar um trânsito pesado e lento.

No off-road, com o pacote de rodas raiadas e pneus de uso misto, você tem uma performance melhor. Com mais tração, é possível ser um pouco mais agressivo na terra, claro que respeitando sua experiência nesse tipo de piso. No caso, falo de um chão mais batido, já terrenos arenosos ou com lama exigem mais atenção ou mesmo substituição dos pneus. As suspensões exigiram ajustes para poderem ficar mais firmes e funcionar de forma mais eficiente nas muitas imperfeições que esse tipo de piso apresenta. Não foi difícil encontrar o melhor ajuste. Apesar do seu desenho robusto, ela é ágil e, de certa forma, fácil de pilotar.


O motor foi bem eficiente na terra, e mesmo o quickshift vai bem neste piso. A entrega de potência no modo Enduro é bem dosada, afinal de contas cai para um pouco mais de 65% da potência total. Então, você vai ficar mais tranquilo ao acelerar na terra, recebendo respostas suaves e progressivas do motor, ideal para pilotos de qualquer nível. Outra dica para quem vai enfrentar trechos longos na terra, é retirar a borracha das pedaleiras, para ter mais aderência das botas. E não esqueça de desligar o ABS e o controle de tração, desnecessários nessa situação.


A Multistrada 950 S é dócil, mas quando exigida para elevação do ritmo, sente-se sua força. Você vai se sentir confortável e confiante rapidamente, e ela atende aqueles que buscam uma motocicleta para o uso urbano, se apertando entre os carros, e também aqueles que partem para longas viagens. Realmente é um modelo único, com tecnologia de ponta, que com certeza vai conquistar os aficionados por aventuras que desejam conforto, prazer na condução, diversão na terra e mais segurança.

ESPECIFICAÇÕES

Motor: Testastretta 11º, bicilíndrico, desmodrômico, 8V, refrigeração líquida

Cilindrada: 937 cc

Alimentação: injeção eletrônica, corpos de 53 mm de diâmetro

Transmissão: 6 velocidades

Chassi: treliça em aço tubular

Distância do assento: 840 mm

Suspensão dianteira: invertida, 48 mm de diâmetro, 170 mm de curso, eletrônica DSS

Suspensão traseira: monoamortecedor, 170 mm de curso, eletrônica DSS

Freio dianteiro: disco duplo semiflutuante, 320 mm de diâmetro, pinças Brembo c/ 4 pistões, ABS Cornering

Freio traseiro: disco, 265 mm de diâmetro, pinça Brembo c/ 2 pistões, ABS Cornering

Potência: 113 cv a 9.000 rpm

Torque: 9,79 kgfm a 7.750 rpm

Tanque: 20 L

Peso (total): 230 kg