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Eric Granado


Foto Ricardo Santos/Mundo Press

Nesta semana o convidado é o piloto da equipe Honda oficial na motovelocidade, Eric Granado. A temporada passada foi inesquecível para o piloto, pois além de conquistar seu terceiro titulo consecutivo na principal categoria do campeonato nacional, o Superbike Brasil, ele participou da estréia do campeonato mundial MotoE e na última etapa venceu as duas baterias, finalizando a temporada na terceira posição.

Numa carreira recheada de conquistas mas ao mesmo tempo de decepções, Eric tem se mantido firme e buscando evolução e resultados importantes. De um início de carreira ainda muito jovem ele passou por campeonatos nacionais, europeus e mundiais sempre disposto a conquistar posições importantes. Foi campeão do Bancaja, um dos mais importantes para jovens pilotos, realizado na Espanha, depois participou das categorias Moto2 e Moto3 do Mundial de Motovelocidade e sempre paralelo a eles, acelerou no Campeonato nacional Superbike Brasil, conquistando o titulo das 600cc e depois da competitiva 1.000cc, acumulando três títulos consecutivos.  


Foto Arquivo Pessoal

Mas 2019 foi outro ano de mais desafios, pois além de disputar o evento nacional, recebeu convite para participar do primeiro campeonato direcionado para motocicletas elétricas, o MotoE, e de cara despontou, realizando melhores tempos nos testes e vencendo a prova de simulação. No campeonato nacional garantiu o terceiro título e na MotoE não teve resultados esperados no início, mas na grande final em Valência, venceu as duas últimas etapas, finalizando o campeonato na terceira posição na geral. Então vamos bater um papo com esse guerreiro da motovelocidade, que ainda busca novos desafios e resultados.

Mais uma temporada e mais um título no SuperBike Brasil, seu terceiro consecutivo na principal categoria. Poderia nos resumir como foi o campeonato?

Foi um ano muito sólido, trabalhamos muito bem e fomos competitivos em todas as condições, seja de pista molhada, mixta ou seca. Infelizmente não pontuei em 2 etapas , uma por problemas técnicos e outra por uma lesão no ombro, mas conseguimos nos recuperar bem destes contratempos e garantimos o título.

Você acabou perdendo uma etapa em virtude de uma lesão. O que realmente aconteceu e como isso influenciou no seu retorno?

Eu uso o ciclismo de estrada como forma principal de treinamento/condicionamento e em um treino que estava fazendo com o grupo que eu pedalo, começou a chover e em uma curva, lenta por sinal, acabei caindo e meu ombro saiu do lugar, por sorte consegui colocar no lugar na hora , mas como era meu primeiro episodio de luxação os médicos recomendaram que eu não corresse para não correr o risco de sair de novo e me causar mais problemas no futuro.

Na temporada passada você estreou a nova Honda CBR Fireblade. Tiveram que realizar muitos ajustes na motocicleta, comparada com o modelo 2018? 

A nossa moto basicamente era a mesma de 2018 nesta temporada, a CBR é uma moto muito boa de curva, porem na reta é dificil acompanhar as outras, mas este ano tivemos algumas melhoras na curva de potencia que ajudou um pouco, colocamos rodas novas também e fizemos alguns ajustes diferentes na eletrônica que nos ajudaram.

Foto Ricardo Santos/Mundo Press


Falando sobre o SuperBike Brasil, na temporada passada o campeonato passou por muitas mudanças, em grande parte para elevar o nível de segurança na pista. O que achou das mudanças? Elas trouxeram melhorias?

Sim, com certeza, o campeonato sempre busca melhorar na segurança e em todos os outros aspectos. Este ano tivemos a parceria com a CBM/FIM que foi super importante para o campeonato também.

Muito se falou dos circuitos que recebem o SuperBike Brasil. Qual o autódromo de sua preferência? Por quê?

Interlagos é meu preferido, por que eu corro nesta pista desde pequeno e acho uma pista muito técnica e versátil.

Você teve grandes duelos com Alexandre Barros, Danilo Lewis e o australiano Anthony West, que depois abandonou o campeonato. Qual foi o adversário mais duro? Por quê?

Todos foram adversários difíceis de vencer, cada um em seu determinado momento, alem deles, meu companheiro Pedro Sampaio também evoluiu muito esta temporada e foi rápido. Gerardo também foi bem rápido, ou seja, tivemos vários pilotos competitivos este ano. Muito legal de ver.

No ano passado você participou do primeiro campeonato mundial (FIM) para motocicletas elétricas, a Copa do Mundo de MotoE. Foi um dos mais rápidos nos treinos e venceu a prova simulada, mas acabou conquistando vitórias somente na final. O que faltou para brigar pelo título?

Faltou um pouco de calma da minha parte, durante o ano eu fui muito rápido, até demais em alguns momentos e isso me fez cometer erros. Na última etapa eu encarei o fim de semana de outra forma e tudo fluiu bem pra mim.

Como foi vencer as duas ótimas etapas no histórico circuito de Valência, na Espanha?

Foi incrivel, duas vitórias diferentes e de muita estratégia. Por mais que a corrida seja curta, parece uma eternidade em cima da moto e da pra você ter uma estratégia sim. A 2ª foi muito especial, brigar com Bradley Smith, ex-piloto da MotoGP foi incrível. E escutar o hino então foi super emocionante, algo que eu sempre sonhei e se realizou.

Como se comporta a motocicleta elétrica da MotoE? Quais são as diferenças básicas para uma motocicleta com motor de combustão?

R: A maior diferença é que não tem marcha nem embreagem, isso é o mais diferente no começo, mas depois você se acostuma. Temos freio motor eletrônico, que funciona muito bem por sinal, pois o motor funciona ao contrario e a moto para bastante, igual a uma redução de marchas. A bateria é bem pesada , então o peso é outro fator relevante, temos 90kg a mais que uma motogp, 260kg no total. Temos um torque muito bruto também, pois a entrega de potencia é imediata. A potencia dela é equivalente a 150HP. De resto é mt parecido, suspensões e pneus iguais a uma MotoGP, a pilotagem é muito similar.

Mesmo com os problemas durante a temporada e a dupla vitória na final, você finalizou o campeonato em terceiro lugar. Já está tudo certo para a próxima temporada?

Sim, tudo certo, já assinamos para continuar com a Avintia na MotoE 

O início do ano é o momento para se preparar para os desafios da nova temporada. Como será a sua pré-temporada?

Depois de alguns dias de descanso, pedalar muito e treinar de moto o maximo possível, seja de supermoto, motocross e flat track, pra não perder o ritmo e chegar o mais preparado possivel para a temporada de 2020.

Como você está encarando essa paralisação do esporte em função do novo coronavírus?

É impressionante o fato de o mundo inteiro estar parado e que todos têm que ficar em casa. Mas é uma precaução que a gente tem que ter agora, evitar aglomerações e contato social, para depois a vida voltar ao normal. Sei que para muita gente é difícil. Para mim mesmo não está sendo fácil, pois a minha profissão exige que me mantenha em movimento, fazendo treinamento físico por várias horas, todos os dias. Então, de repente isso foi interrompido, especialmente os mais de 100 km que costumo pedalar diariamente com a bike, para ganhar força nas pernas e melhorar o equilíbrio sobre duas rodas, além da parte aeróbica, um conjunto de coisas que são muito importantes e decisivas em corridas de motovelocidade. Além disso, também por causa da minha carreira, me tornei uma pessoa muito ativa. Trabalho, viajo, treino, faço contatos, atendo pessoas o tempo todo... Estou sempre em ação e em movimento. Essa parada, para ficar direto em casa, mudou tudo. Mas, como disse, há um objetivo maior por trás disso, que é a saúde pública, e saber que estou fazendo a minha parte compensa todo o transtorno e me deixa feliz comigo mesmo.

O que você tem feito para se manter em forma para a retomada da temporada?

Basicamente tento manter parte da rotina de treinos. Não posso ir à academia e também não posso sair para pedalar na estrada, como era minha rotina diária. Mas tenho um rolo aqui em casa, um equipamento que me permite pedalar sem sair de casa. Não tem a mesma velocidade e intensidade, mas pelo menos estou me movimentando. Faço também treinos funcionais na garagem, onde tenho pesos e algum equipamento que me permite exercitar de forma satisfatória. E, claro, o principal, que é o treinamento para reabilitar o ombro que machuquei forte em um acidente no ano passado. Mas já estou muito melhor, graças a Deus.

Também mantenho contato com o pessoal que trabalha a minha carreira no Brasil e no exterior. Tirando isso, procuro ocupar a cabeça com coisas legais – e receito isso pra todo mundo. Quando não estou trabalhando, assisto a algumas séries e jogo o videogame MotoGP 2019, que por sinal tem eu e minha moto. Me divirto bastante!

Você testou a nova motocicleta para a MotoE. Gostou das mudanças feitas? Onde ela melhorou?

As mudanças foram poucas e sutis, mas importantes. Na minha opinião, as mais importantes foram as novas regulagens da suspensão dianteira, que oferecem mais suporte nas freadas e entradas de curva. O novo "airbox" para refrigerar a bateria vai aumentar um pouco mais a autonomia da moto. Tivemos uma pequena alteração na eletrônica, que melhorará um pouco o rendimento do motor. E, claro, os novos pneus Michelin, que eu considero o ponto mais importante. Alguns pilotos gostaram deles, outros não. Mas acredito que é mais uma questão de entender como esse pneu funciona e como adaptar a moto e a tocada a esse pneu. Vamos ter outro teste antes da corrida de estreia e espero que consigamos aprender o máximo sobre esse pneu, porque nos eventos de prova não há muito tempo para fazer experiências.

Você tem participado de grandes campeonatos nacionais e internacionais e já competiu nas categorias Moto2, Moto3 e MotoE do Mundial. O que pretende fazer nos próximos anos? Quais são os objetivos e sonhos do piloto Eric Granado?

Meu sonho continua sendo ser campeão mundial e poder chegar na MotoGP, então o sonho continua.