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Honda CB 650R


Nesta semana vamos apresentar um modelo que foi totalmente renovado, a CB 650R. Esta motocicleta faz parte da lendária família CB da Honda, com as primeiras CB 400, 500 e 750 Four dos anos 1970. Conta a história que a 750 Four foi comercializada até 1976, voltando somente dez anos depois, com a importação de 700 unidades e preço similar ao de carros top de linha da época. No ano seguinte, passou a ser produzido no Brasil e permaneceu no line-up da Honda até 1994.

Foram necessários seis anos para a linha CB retornar ao mercado nacional. A CB 600F Hornet foi sucesso quase imediato e se tornando ícone do segmento, reverenciada pelo alto padrão e performance. Todos sonhavam ter uma Hornet. Depois de dez anos de domínio, em 2014 ela foi substituída por um modelo de 650 cc, mas com o motor “mais manso” e seguindo as regras de emissão de poluentes. A linha CB perdeu prestígio, mas a Honda decidiu mudar e história e no ano passado apresentou oficialmente no Brasil a nova linha CB, com a 1000R Neo Sports Café.

O modelo era mais do que um relançamento, trazia para a linha CB um novo conceito, o Café Racer, que teve origem na Inglaterra, nos anos 1950 e 1960, quando jovens rebeldes vestindo jaquetas de couro customizavam suas motocicletas e participavam de corridas rápidas nas estradas com destino aos cafés das estradas, para curtir o rock'n’roll. Já no Salão Duas Rodas do ano passado, a Honda apresentou o modelo CB 650R, também com apelo café racer, e a versão carenada CBR 650R. A nova geração nessa cilindrada se despede da nomenclatura “F” (de "fun" ou diversão em português), desta vez buscando oferecer mais potência e estilo.

Mas o que a Honda preparou na 650R, para os amantes da família CB? Como disse, o visual mescla o moderno com o clássico, com o estilo café racer e linhas minimalistas. O design é compacto e agressivo, se destacando a curta rabeta, o farol circular e o longo tanque, tudo com muita esportividade e robustez. Do mundo moderno, no braço oscilante é fixado o amortecedor traseiro, direto, sem o tradicional link. Comparando com a versão carenada, o guidão mais curto e alto deixa o piloto em uma posição pouco inclinada, que junto com as pedaleiras, pouco recuadas e elevadas, oferece a sensação de esportividade.


Este modelo recebeu o dispositivo de segurança suplementar ESS (Emergency Stop Signal), que nas frenagens de emergência em velocidades superiores a 56 km/h aciona automaticamente o pisca-alerta, através de sensores do módulo do ABS.


O painel de instrumentos é novo, retangular LCD Black out, similar aos modelos de 500 cc, com indicadores de temperatura do líquido de arrefecimento, posição de marchas, ABS, pressão do óleo do motor, neutro da transmissão, HSTC (acionado e desligado), falha na injeção e HISS. Além do nível do tanque combustível, conta-giros, velocímetro e outros.


O motor recebeu modificações com o intuito de gerar mais potência. Os quatro cilindros geram 649 cc e receberam novos pistões, com extremidades superiores mais altas e atuando na taxa de compressão. Novos comandos de válvulas foram incorporados, assim como nova admissão, que gerou 10% de aumento do volume de ar captado, e exaustão. Outro destaque é a extensa rede de passagens internas do líquido de refrigeração, eliminando parte das mangueiras externas do sistema.


A embreagem também recebeu upgrade e agora é o tipo deslizante e assistida, prevenindo perdas de aderência da roda traseira nas reduções de marchas bruscas, bem como redução em 12% no esforço do acionamento da manete. Para finalizar, a Honda informa que os coletores de escape receberam novos tubos de 38,1 mm (na linha F tinham 35 mm).

Todas essas mudanças trouxeram ganho de potência em relação a versão anterior. A nova CB gera 88,4 cavalos a 11.500 rpm e torque máximo de 6,13 kgfm a 8.000 rpm. Contudo, segundo a marca, o nosso modelo perdeu alguns cavalos se comparado com o modelo europeu, que oferece 95 cv, em virtude das nossas rígidas leis de emissão de poluentes.

Para conter eventual perda de aderência do pneu traseiro em situações de forte aceleração, principalmente em pisos de baixa aderência, a Honda providenciou o controle de tração HSTC (Honda Selectable Torque Control), que amplia a segurança na pilotagem, mas pode ser desativado pelos pilotos mais experientes.

Outra novidade é chassi tubular de aço, tipo Diamond, que apresenta poucas soldas e teve o peso reduzido em 4 quilos. A Honda informa que as traves tiveram as especificações modificadas e ficaram mais flexíveis na região central e mais rígidas na conjunção com a coluna de direção. Isso devido ao uso de um novo sistema de suspensão da Showa, o SFF (Separated Function Fork), com bengalas invertidas (na versão “F” a posição era convencional) e funções separadas, uma como amortecedor de dupla ação e a outra como mola. Na traseira há um amortecedor com regulagem da pré-carga (sete posições).


Para parar, a CB 650R oferece disco duplo flutuante de 310 mm de diâmetro, com pinças de quatro pistões fixadas radialmente – outro diferencial para a versão “F”, que eram fixadas nas bengalas – na frente, e disco traseiro de 240 mm. E, claro, ABS renovado, para respostas mais rápidas.

O preço público sugerido da nova Honda CB 650R é 37.900 reais, nas cores azul perolizado, vermelho perolizado e prata metálico. A garantia é de três anos, sem limite de quilometragem, e oferece também o Honda Assistance (Assistência 24 horas) durante o período que durar a garantia.

COMPORTAMENTO - Ao sentar na nova CB 650R, de cara você percebe como ela é compacta e estreita, nem parece uma motocicleta de 650 cilindradas. O posicionamento é bom e confortável. Você se encaixa na motocicleta com o desenho do tanque de combustível, posicionamento das pedaleiras e devido ao guidão baixo e curto, lhe deixando levemente inclinado e sentindo a esportividade que ela oferece. O painel de instrumentos permite boa leitura das informações.


Ao dar a partida no motor, sente-se na hora que as mudanças realizadas pela fábrica trouxeram mais vigor ao quatro cilindros. Os giros sobem rápido e o ronco é mais agressivo, como uma verdadeira esportiva. O motor está mais arisco, com respostas mais rápidas, mas sem perder a progressividade na entrega de potência. Não tem a potência da Hornet, mas tem força suficiente para ultrapassar os 200 km/h num curso menor que a “F”. O novo propulsor vai atender qualquer tipo e nível de pilotagem, seja você um piloto iniciante ou experiente. E oferece diversão e desempenho na medida certa, nada mais, nada menos.

Quanto à agilidade do conjunto, já era esperado um grande comportamento, afinal de contas a Honda tem a tradição de construir motocicletas com muita maneabilidade. Com design compacto e estreito, ela é muito fácil de pilotar e permite muito movimento do piloto e mudanças rápidas de direção.


As suspensões também contribuem para essa condução fácil. O funcionamento é mais firme na alta velocidade e suave na baixa, ou seja, ideal para o uso urbano. Nosso teste aconteceu na estrada, com piso de poucas imperfeições, diferente do que encontramos nas ruas e avenidas das cidades. Mas deu para perceber que o novo conjunto aumentou a segurança na pilotagem, tanto nas curvas, mesmo as mais fechadas, como nas frenagens. E por falar nos freios, eles apresentaram bom funcionamento, com respostas mais rápidas garantindo uma condução mais controlável.


Confira no vídeo abaixo um resumo do teste da Honda CB 650R (juntamente com a CBR 650R).


ESPECIFICAÇÕES

Motor: quadricilíndrico, 16V, DOHC, refrigeração líquida

Cilindrada: 649 cc

Alimentação: injeção eletrônica PGM-FI

Transmissão: 6 velocidades

Potência: 88,4 cv a 11.500 rpm

Torque: 6,13 kgfm a 8.000 rpm

Chassi: tipo Diamond

Distância do assento: 810 mm

Suspensão dianteira: Showa SFF, 41 mm de diâmetro, 120 mm de curso

Suspensão traseira: monoamortecedor, 128 mm de curso, ajuste de pré-carga da mola

Freio dianteiro: disco duplo flutuante, 310 mm de diâmetro, pinças c/ 4 pistões, ABS

Freio traseiro: disco, 240 mm de diâmetro, ABS

Tanque: 15,4 L

Peso (seco): 191 kg