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Marcos Monteiro - Gerente Geral Comercial da Honda


A temporada passada pode ser considerada perfeita para a Honda Racing, afinal de contas ela venceu os principais campeonatos brasileiros, como o de motocross nas categorias MX1 e MX Elite, com o piloto Jetro Salazar; enduro FIM na Enduro GP e E1, com Bruno Crivilin – que estreou no ano passado na Honda - rally, com Gregório Caselani, e o Sertões, com Tunico Maciel; e a motovelocidade, com Eric Granado. E ainda a vitória de Hector Assunção no Arena Cross.

A empresa participa de praticamente todos os campeonatos nacionais, com patrocínio nos eventos e a presença de equipes oficiais e satélites. O ano de 2019 foi realmente importante para a marca. Não podemos esquecer de pontuar também que para o Salão Duas Rodas, realizado no ano passado, a Honda surpreendeu o público brasileiro ao trazer ninguém menos que o campeão mundial de motocross da categoria MXGP naquele ano, o esloveno Tim Gajser.

Então estreamos esta espaço para conversar com o responsável pelas competições da marca, Marcos Monteiro, gerente-geral comercial da Honda, que fala sobre as vitórias na temporada passada, o duro trabalho de administrar equipes poderosas e pilotos talentosos, a presença da marca nos campeonatos nacionais e internacionais e outros assuntos. Enquanto todos aguardam o retorno dos campeonatos, venha com a nossa equipe entender como a Honda conseguiu uma temporada 2019 perfeita.

A temporada 2019 para a Honda foi praticamente perfeita nas competições. Você conquistaram títulos no motocross, enduro, rali e motovelocidade. Na sua opinião, o que levou a esse enorme domínio da Honda no ano passado?

MARCOS – Temos um time forte e procuramos sempre ser uma equipe competitiva. Isso ocorre quando encontramos o melhor equilíbrio entre motocicleta e piloto. Em 2019, tivemos a felicidade de conquistar os principais títulos nacionais, em praticamente todas as categorias em que participamos.

Mesmo sendo o ano de estreia do piloto capixaba Bruno Crivilin na equipe, ele conquistou os principais títulos do enduro nacional. Como foi trabalhar pela primeira vez com ele? Acreditavam que já poderiam pensar em títulos?

Sempre acreditamos no talento do Bruno, ele é um piloto incrível dentro e fora das pistas. O início da temporada não foi fácil para ele, pois estava retornando de contusão, mas ele mostrou ser um piloto diferenciado e os resultados confirmam que fizemos a escolha certa para o time Honda Racing em 2019.

As equipes da Honda, em quase todas as categorias, apresentam pilotos talentosos e campeões ou ex-campeões, todos em condições de conquistar títulos, o que gera grande competitividade entre eles. Como no rali, que tem Tunico Maciel, Gregorio Caselani e Jean Azevedo. Como é lidar com ex-campeões na mesma equipe?

A principal receita é um ambiente saudável, conservando respeito, amizade e companheirismo dentro e fora da competição. Esse bom relacionamento é essencial, pois todos buscam o lugar mais alto no pódio. E quando todos têm o mesmo objetivo, o nosso time cresce e fica ainda mais competitivo.

Você é responsável por uma área altamente estressante, onde é preciso lidar com inúmeros tipos de problemas, dos mais variados e às vezes complicados. Como é conviver diariamente com essa pressão?

Acredito que todo profissional, independente do seu ramo de atuação, lida com algum tipo de pressão. Numa empresa, todos temos metas e objetivos a serem realizados, e no esporte não é diferente. Os resultados são a melhor forma de controlar a pressão e manter o foco no objetivo maior no final da temporada, que são os títulos.

Depois de mais de 30 anos sem vencer o maior rali do planeta, a Honda finalmente levantou novamente o troféu de campeã do Dakar. O que significa essa conquista para a marca?

O Dakar tem um significado muito grande para todos praticantes de esportes off-road do mundo e sem dúvida é uma das competições mais importantes do esporte a motor. A Honda retornou para o Dakar, depois de um período de ausência, e desde então o objetivo estava estabelecido: ser a marca campeã. Com uma meta clara e muita persistência, o time conquistou o Dakar e a comemoração foi muito grande.

Ainda sobre o Dakar, a Honda do Brasil tem planos de enviar representantes na próxima edição, como vocês fizeram no Six Days e no AMA Supercross, com os pilotos da fábrica participando nesses grandes eventos internacionais?

A Honda Brasil tem uma tradição de mais de 40 anos apoiando o motociclismo esportivo. Mas sempre queremos ir além e promover a oportunidade em competições internacionais, como forma de incentivar troca de experiências e, consequentemente, aumentar o nível do esporte nacional. Nossa participação no Dakar 2021 está no radar, mas ainda não podemos dar mais detalhes.

Hector Assunção, atual campeão do Arena Cross, estreou neste ano no campeonato americano de supercross. Ele fez três etapas com o suporte da fábrica. O que levou a Honda a tomar essa decisão?

Como disse, o intercâmbio de pilotos em campeonatos fora do Brasil é muito importante para o desenvolvimento do motociclismo nacional. Em 2020 nós conseguimos levar o Hector para correr nos Estados Unidos, com os melhores pilotos de supercross, pensando como um excelente teste de pré-temporada para o Arena Cross 2020 e a busca pelo bicampeonato. Lembro que os nossos pilotos de motocross participaram nos últimos anos da etapa argentina do Mundial de Motocross, na MXGP, sem dúvida algo que colaborou para a estratégia do time para o Brasileiro de MX e também do Arena Cross, campeonatos que conquistamos os títulos.

Você está presente em grande parte das competições em que a Honda participa. Qual é a sua opinião sobre os campeonatos nacionais? Eles atendem as necessidades do esporte ou algo precisa mudar?

A Honda participa e apoia as competições desde a sua fundação, é algo que faz parte do DNA da empresa. Mas qualquer campeonato de esporte a motor tem direta relação com o ambiente econômico do setor em que atua e a capacidade das empresas em realizarem investimentos ou patrocínios. Os campeonatos nacionais estão evoluindo a cada ano e, com a retomada das vendas do nosso setor, espero ver cada vez mais empresas apoiarem o nosso esporte, e isso certamente elevará ainda mais o nível das competições no país.

Na última edição do Salão Duas Rodas vocês trouxeram o campeão mundial de motocross na categoria MXGP, Tim Gajser. Como foi essa ação e como foi a receptividade do público e do campeão?

O Tim foi muito gentil em atender ao nosso convite durante o seu período de férias. A visita dele ao Salão Duas Rodas foi incrível e a receptividade do público mostrou mais uma vez que o Brasil é um país apaixonado pelo off-road. Isso ratifica a importância estratégica do mercado da CRF para nós, e que estamos no caminho certo, tanto na produção de modelos locais, como a CRF 250F, como também na atualização da nossa linha dos modelos importados, como a CRF 450R, que são verdadeiros sucessos de vendas.

A Honda é patrocinadora e participa com equipe oficial no campeonato SuperBike Brasil. O evento melhorou depois das mudanças realizadas no ano passado ou acha que ainda é preciso mais alterações?

O campeonato vem evoluindo e no último ano, os esforços se concentraram nas questões de segurança, que são fundamentais para o desenvolvimento do esporte. Os organizadores estão trabalhando fortemente nesse tema e para temporada 2020 esperamos um novo avanço.

O Eric Granado conquistou seu terceiro título consecutivo para a marca, que agora totaliza sete títulos na categoria principal. Na sua opinião, a que se deve esse longo domínio da Honda na motovelocidade?

Temos um time muito forte, com equipamentos de classe mundial e uma dupla de pilotos muito rápidos. O Eric Granado é um grande talento e o apoiamos desde o início da sua carreira. Ele está na sua melhor forma e certamente tem um caminho pela frente de muito sucesso, tanto no Brasil quanto no exterior. Já o Pedro Sampaio é um jovem talento que, após ser campeão da SuperSport 600, foi convidado a participar no HTT (Honda Talent Test) e pelo resultado foi selecionado para o nosso time. Em resumo, temos uma moto competitiva e uma dupla de jovens talentosos pilotos que nos deixam muito confiantes para a temporada 2020.

Novamente a Honda disponibilizou no Brasil os novos modelos off-road quase que simultaneamente ao lançamento internacional, e praticamente mantendo o preço do ano anterior, mesmo com a elevação do câmbio. Contudo, o consumidor tem alegado que as unidades disponibilizadas não atendem à procura, principalmente o modelo CRF 450R. Isso realmente tem acontecido? Se sim, como minimizar a situação?

A linha CRF importada vem sendo um sucesso de vendas, muito acima das nossas expectativas iniciais. Isso se dá por uma combinação de fatores, dentre os quais a atualização tecnológica dos modelos, uma estratégia de preço agressiva e uma demanda reprimida nos últimos anos, em decorrência de uma retração econômica. Estamos trabalhando duramente para atender da melhor forma possível o nosso consumidor, e a nossa matriz também está se esforçando em disponibilizar novos lotes para o Brasil.

Ainda sobre comercialização, a Honda mundial oferece a versão limitada Works Edition da CRF 450R para o mercado. Ela recebe peças especiais e tem tido grande repercussão lá fora. Por que este modelo não faz parte do line-up da Honda no Brasil?

Os modelos de alta performance de fábrica são uma tendência mundial. No caso da linha CRF, isso também se confirma, em especial no mercado americano, para atender pilotos amadores de alto rendimento ou equipes satélites que procuram motocicletas de fábrica com diferenciais de especificação. Nós sempre estudamos o mercado local, avaliando o seu potencial e a nossa capacidade de competitividade em preço para atender os nossos consumidores . Nesse momento, nossos estudos concentram-se em avaliar o câmbio, a valorização do dólar no cenário global, e como isso poderá impactar a chegada de novos modelos por aqui.

Para finalizar, sabemos que você é um amante do motociclismo. Mesmo com toda essa responsabilidade e pressão em administrar as competições da Honda, sobra tempo para curtir a sua motocicleta? Qual é o modelo que está na sua garagem?

Sou um apaixonado pelo universo das duas rodas. Já tive algumas oportunidades incríveis em rodar por alguns países da América do Sul e da Europa com motocicletas. Na minha garagem já passaram muitos modelos, mas atualmente tenho uma XRV 750 Africa Twin 1991, que foi totalmente restaurada. É uma motocicleta desenvolvida para ganhar o Paris-Dakar e adaptada para as ruas. Tenho também uma CRF 250L, uma motocicleta muito versátil e divertida.